O Palco Subcutâneo

buscando apresentar as futilidades e vanidades que passam por baixo de nossas peles sujas de oxigênio.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Protesto na lápide

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Quando vos falo assim postumamente,
Entendam a minha forma de contar da esperança e otimismo que vivo.

Há quem tenha nascido pra não morrer,
Há os que nasceram morrendo,
e há os que vivem na morte.

Sou daqueles que se mata diariamente,
Ressucitando todos os dias,
e a cada encarnação um passo para a LUZ!

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O Eu, quando fácil.

Uma boa e corriqueira história de quem passou a vida ao largo de si mesmo e, de repente...dá com a cara no vidro. E descobre que tem uma. E descobre um tanto de outros pequenos pormenores.

(por Thereza, para Tarcísio. É só um poema em forma de prosa. Espero que goste).


pequenino e simples, mas que me abriu uma gigante compreensão de muitas coisas que ainda estavam encruadas em mim.

Obrigado Thereza!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Diálogos inexistentes (Nick Farewell)

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Tudo se resolveu. Estava na hora de ir. Pego o caminho da estrada.

- Ei, você esqueceu a sua mochila.
- Ah, obrigado.

Continuo andando.

- Eu... já peguei a mochila. Você já pode ir.
- Eu... queria andar um pouco com você. Pode?
- Pode. Mas você não vai gostar. Não sou muito de falar. Diria que o meu caminho é... solitário.
- Não me importo. Quero ir com você.

Continuamos andando em silêncio.

- E se eu quiser andar com você a vida inteira?
- Diria que você é louca.
- Se eu disser que também sou solitária?
- Aí eu diria que se você andar comigo vai perder o seu estado de ‘solitária’ e diria que eu também perderia a minha reputação de solitário.
- Você se importa?
- Sinceramente? Acho que às vezes a solidão cansa. Mas também acho que não tenho escolha.
- Eu entendo.
- Entende?
- Sim.

Andamos mais um pouco. Ela passa o braço dela no meu.

- Se é para acabar com a reputação que seja com estilo.

Eu sorrio.

- Para ser sincero nem sei porque estou falando tanto.
- Deve ser porque você anda solitário há muito tempo.
- Quero parar um pouco.

Sentamos no banco. Ficamos mudos por muito tempo.

- O que está pensando?
- Estou pensando em bobagem.
- O que é?
- Estou pensando em deixar essa mochila nesse banco. Para sempre.

Ela sorri e eu gosto disso.

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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

lamento pessimista

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quando criança o dia era de esperança
quando jovem o dia era quente,
quando adulto largou tudo, foi com tudo,
foi pro mundo, escolheu a solidão,
se juntou a multidão perdida no salão.
solitárias acompanhadas de volúpias guardadas.
ensinaram canções aos postes,
cantando em uma só voz refrões rocos,
letras perdidas num mundo mágico de Oz,
rastejando no deserto de santos ocos.
foi quando viu pegadas pela ilha;
nadou, boiou, se afogou, nadou,
morreu na praia, como estas linhas.
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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Ciclo

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só se nasce quando se pari,
só se nasce quando se parte.

eu parto e tu é parte,
parte vital do parto.
do meu parto vital.

deve-se mudar,
tem que se partir,
partir ao meio,
e ao morrer, nascer.
tem-se que ressucitar.

E ao morrer
tem que se parir!
eis o teu fardo.

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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Dia seguinte

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- Não acredito! - Ela resmunga
- Em que? - Ele retruca
- No que agente fez. Eu nem te conheço direito.
- Bebemos demais.. e além do mais somos humanos!
- Só por isso podemos errar?
- Não...Só por isso podemos amar!

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quarta-feira, 15 de abril de 2009

adicção

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sou usuário de poesia
e dependente de amor.
o oceano se afoga no meu peito,
e eu asfixio, grito e chio,
e sei que desse jeito,
no próximo inverno não fará tanto frio,
e todos os seios nascerão menos baldios.
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