buscando apresentar as futilidades e vanidades que passam por baixo de nossas peles sujas de oxigênio.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Bordel



Estou de frente pro tabuleiro,
Não sei se jogo,
Não sei se quebro.

Ele parece inquebrável.
Já mexi algumas peças,
Mas meu orgasmo está em quebrar.

Posso usá-lo de cinzeiro,
Apoio de garrafas,
Mas não estaria satisfeito.

Ah! Joguei um ácido,
Deu que ia derreter,
Mas se regenerou.

Há inúmeras possibilidades:
Ser árvore,
Ser deputado,
Ser humano.

A única pseudo-liberdade que terás, está nessa escolha.
Mas lembre-se:
É seu único e insubstituível tabuleiro.

As peças são pesadas e o adversário impiedoso.
Pra vencer é preciso ambição.
A derrota é pior que pode acontecer.

Se quiseres tentar e for derrotado,
O tempo não será suficiente para a recomposição de peças.
Poderás ficar como seus pais.

Podem apenas rejeitá-lo, sim!
Ficar de lado, de costas,
Podem se levantar e falar para os outros jogadores desistirem,
Ainda acreditam em seus bagos heróicos?

Posso jogar, e até vencer,
Mas ainda não estou frio e cego o suficiente.

Só quero que todos joguem,
Não, é mentira!
Quero que ninguém jogue.

Mas a jogatina está na mesa,
As cafetinas a sua volta,
E nem todos podem estar no bordel essa noite.


-

Um comentário:

Unknown disse...

ei, haha,
eu acho que conheço esse poema...
opa, lembrei! eu te ajudei, fala serio! de uma simples converssa um poema...
eu fui sua inspiração, ah eu sou demais!!! mentira.
mais está um pouco diferente, melhor até.
ficou ótimo!
beijos!