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Na ladeira das virtudes era onde se reuniam os jovens curtis e as jovens joplins.
Hoje ele descia mais uma vez a pista. mãos no bolsos. cigarro na boca.
Procurava um lampejo nos becos, o sol da noite.
Mesmo cego, ele insistia em procurar.
Escorregava em suas pistas de gelo,
mas ele queria o sol da noite.
De rua em rua, de ser em ser, de copo em copo;
Os tragos esfumaçavam os olhos e o gelo do whisky já virara água, mas nada.
Noites e noites a fio; Ora duvidava, mas tinha certeza que o soturno era no fundo, divino.
Se enganava com alguns feixes de luz que sua imaginação criava,
mas nunca desistia de vagar.
Foi dado por louco por alguns que não entendiam a busca.
Ele não entendia por que ninguém se olhava nos olhos, todos olhavam para o chão.
Ninguém mais acreditava em luz na cidade. Nunca amanhecia na ladeira das virtude.
Naquele dia, descendo, esquiando nas suas pistas de gelo noturnas, ele de fato vira uma fresta iluminada.
Deixou os esquis e foi caminhando com certo receio em direção a fresta - Tinha medo de se enganar com mais uma miragem daquele deserto de neve escura.
Cambaleava pelos caminhos esburacados, mas não caía.
Com muita calma e cuidado, seus pés escorregadios afundavam na neve.
Suas pegadas ficavam e ele já até pensava em sorrir no meio do caminho.
Já acreditava que podia, enfim, voltar a enxergar e sorrir - Passos tímidos.
Agora ele tinha certeza que era verdade. A luz foi ficando mais bonita e intensa a cada passo.
Já não tinha dúvidas. estava de frente pra ela.
Olhou-a de frente, sorriu, suspirou...
Ia poder, enfim, olhar suas próprias mãos.
Mesmo com toda fadiga, ele estava radiante.
A luz quase o cegava novamente... a intensidade só aumentava, como seu sorriso.
Sentia que aquele era o momento. Estava decidido. Ia se expor a luz.
Levantou o pé para o passo final e a luz, como um flash, que o fez cair pra trás, apagou.
Ele abriu os olhos, deitado no gelo, não vira mais a luz que tanto o atraia na noite,
mas a queda o obrigou a olhar pela primeira vez para o céu, e por entre os galhos congelados, ele viu.
Sorriu e chorou ao mesmo tempo. Estava de frente pra tudo que sempre procurou e sonhou.
Ali ele entendeu que o sol da noite era iluminado, redondo,inalcansável.
uma outra pista, iluminada e que sempre o seguiu pelas noites solitárias.
E ali ele ficou até que o sol o impedisse de ver a luz.
Na certidão de óbito indicava: "overdose de vida"
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buscando apresentar as futilidades e vanidades que passam por baixo de nossas peles sujas de oxigênio.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
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2 comentários:
Entender é mais difícil do que escrever. Está no caminho certo.
Abraços.
Isso de Causa Mortis: overdose de vida foi muito bom. Ele deve ter sentido o 'satori' no último hálito de vida (um segredo inútil encerrado num cubo de gelo). Abç.
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