buscando apresentar as futilidades e vanidades que passam por baixo de nossas peles sujas de oxigênio.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Reparação aos antigos

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desculpem-me meus amigos se eu sumi,
espero que entendam,
mas de amores eu vivi.

eu que de amor tanto falei,
dei agora pra sentir,
e por aí voei.

eu que nunca vivi sob regras,
escrevo-lhes agora em rimas,
ora por baixo, ora por cima.

sigo agora uma sina,
e vocês vão gostar,
se um dia eu vos apresentar,
cecília, tão menina.


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segunda-feira, 8 de setembro de 2008

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Ele sonhava.
Ia todos os dias à livraria.
Toda aquela atmosfera que ronda uma livraria o atraía como uma cadela no cio atrai os cães. era instintivo.
Ele entrava na loja 13 da galeria, olhava para cima com a mesma surpresa que uma criança olha alguém muito maior que ela, e com a boca entreaberta e curiosa, olhava para o mesmo senhor de barba que estava naquele caixa há exatos 32 anos.
Admirava por instantes toda aquele galpão enorme de móveis rústicos e colossais de madeira, sentava sempre na mesma cadeira, de frente ao balcão do caixa. Passava o tempo que lhe fosse conveniente. Sentia que aquele lugar tinha o cheiro e a lembrança de uma vida que ele nem se lembra ou sabe se teve.
Acabou se interessando por algumas coisas de Marx, de Fernando Pessoa e de Clarice, mas lera por mera falta do que fazer. Ele lia muito pouco, na verdade.
Se reparássemos bem, com os dois olhos um pouco acima dos livros, ele olhava fixamente para o homem que ficava no único e cômodo caixa da livraria o tempo todo.
Em toda aquela inexpressão daquele senhor, ele sentiu todas coisas e formas de amor e ódio ao passar dos 16 anos ininterruptos de visitas diárias àquela livraria, e ali ele criava o seu mundo, onde o caixa da livraria era Deus e todos os livros os cidadãos daquele vilarejo que ele construiu com muito esforço através dos anos.
Clientes da livraria eram invasores que vinham raptar os cidadãos do vilarejo para estudar e entender melhor o seu universo.
Ele não entendia o por que os invasores nunca entederam os cidadãos. Afinal, eram apenas livros, cada um com uma combinação única de palavras, mas que findariam sempre do mesmo jeito: raptados por invasores.
Ele, como livro que era, conversou com a maioria dos cidadãos daquela pequena vila. conhecia a residência da maioria deles e até chorava quando alguns deles eram raptados.
Ele sabia que aquele amor que dedicava ao seu mundo um dia o levaria a ser quem ele sempre quis ser.
Ele sonhava.
Ele queria ser caixa de livraria.
Ele queria ser Deus, Fechar as portas do seu mundo e sentar no trono, sem caixas registradoras.

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