-
Tudo se resolveu. Estava na hora de ir. Pego o caminho da estrada.
- Ei, você esqueceu a sua mochila.
- Ah, obrigado.
Continuo andando.
- Eu... já peguei a mochila. Você já pode ir.
- Eu... queria andar um pouco com você. Pode?
- Pode. Mas você não vai gostar. Não sou muito de falar. Diria que o meu caminho é... solitário.
- Não me importo. Quero ir com você.
Continuamos andando em silêncio.
- E se eu quiser andar com você a vida inteira?
- Diria que você é louca.
- Se eu disser que também sou solitária?
- Aí eu diria que se você andar comigo vai perder o seu estado de ‘solitária’ e diria que eu também perderia a minha reputação de solitário.
- Você se importa?
- Sinceramente? Acho que às vezes a solidão cansa. Mas também acho que não tenho escolha.
- Eu entendo.
- Entende?
- Sim.
Andamos mais um pouco. Ela passa o braço dela no meu.
- Se é para acabar com a reputação que seja com estilo.
Eu sorrio.
- Para ser sincero nem sei porque estou falando tanto.
- Deve ser porque você anda solitário há muito tempo.
- Quero parar um pouco.
Sentamos no banco. Ficamos mudos por muito tempo.
- O que está pensando?
- Estou pensando em bobagem.
- O que é?
- Estou pensando em deixar essa mochila nesse banco. Para sempre.
Ela sorri e eu gosto disso.
-
buscando apresentar as futilidades e vanidades que passam por baixo de nossas peles sujas de oxigênio.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Assinar:
Postagens (Atom)